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Domingo, Setembro 28, 2008
Wall Street, descanse em paz: o fim de uma era
de Julie Creswell e Ben White
Wall Street. Duas palavras simples que, assim como Hollywood e Washington, conjuram um mundo.
Um mundo de grandes egos. Um mundo onde pessoas adoram apostar com dinheiro emprestado. Um mundo de negócios realizados na corda-bamba, impulsionados por computadores.
Em busca de retornos cada vez maiores -e iates maiores, carros mais rápidos e coleções de arte mais caras para seus altos executivos- as firmas de Wall Street reforçaram suas mesas de negociação e contrataram gênios da física quântica para desenvolver programas à prova de falhas.
Os fundos hedge colocavam os mercadores no vermelho (a alta da coroa dinamarquesa) ou no preto (a queda do PIB da Tailândia). E firmas de private equity reuniam fundos gigantes e saíam em uma onda de compras, adquirindo empresas como se fossem uma segunda esposa comprando sapatos Jimmy Choo em liquidação.
Este mundo está em grande parte chegando ao fim.
O imenso pacote de resgate que está sendo debatido no Congresso poderá ter sucesso em estabilizar os mercados financeiros. Mas é tarde demais para ajudar firmas como Bear Stearns e Lehman Brothers, que já desapareceram. O Merrill Lynch, cujo touro de sua marca registrada simbolizava Wall Street para muitos americanos, está sendo absorvido pelo Bank of America, localizado a centenas de quilômetros de Nova York, em Charlotte, Carolina do Norte.
Para a maioria dos financistas que permanecem, com a exceção de alguns poucos superastros, os dias de dinheiro fácil e bônus gigantes são coisa do passado. O boom do crédito que levou ao crescimento explosivo de Wall Street secou. Os reguladores que ficaram de lado por muito tempo agora estão ávidos para refrear os bad boys de Wall Street e as práticas que se proliferaram nos últimos anos.
"Os dias aventureiros nos negócios das firmas de Wall Street, basicamente transformando a si mesmas em fundos hedge gigantes, acabaram. A verdade é que não eram tão bons", disse Andrew Kessler, um ex-administrador de fundo hedge. "Você não mais verá pessoal de nível médio ganhando um número de sete dígitos ou múltiplos números de sete dígitos que ninguém conseguia entender exatamente como conseguiram aquilo."
O início do fim é sentido mesmo nos corredores do elitista e conservador Goldman Sachs, que, entre seus pares de Wall Street, resumia e definia a cultura de alto risco, alto retorno.
O Goldman é uma firma que as outras firmas de Wall Street adoram odiar. Ele conta com alguns dos maiores fundos hedge e de private equity do mundo. Seus banqueiros de investimento são os mais inteligentes. Seus corretores, os melhores. São eles que ganham mais dinheiro em Wall Street, dando à firma o apelido de Goldmine (mina de ouro) Sachs. (Seus 30.522 funcionários ganharam em média US$ 600 mil no ano passado -uma média que inclui tanto secretárias quanto corretores.)
Apesar dos executivos de outras firmas torcerem secretamente para que o Goldman cometesse pelo menos um grande erro, ao mesmo tempo eles se esforçavam ao máximo para copiá-la.
Apesar do Goldman permanecer excelente na prestação de consultoria para fusões e na intermediação do lançamento de ações no mercado, o que ele faz melhor do que qualquer outra firma de Wall Street é negociar bens mobiliários. Isso envolve o uso de seus próprios fundos, assim como uma pilha de dinheiro emprestado, para fazer grandes apostas globais.
Outras firmas tentaram seguir seu exemplo, acumulando risco e mais risco, na tentativa de capturar uma pitada da mágica do Goldman e de seus lucros estelares trimestre após trimestre.
Ninguém chegou perto.
Enquanto a crise de crédito tomava Wall Street ao longo do ano passado, levando o Merrill, Citigroup e Lehman Brothers a sofrerem prejuízos pesados em grandes apostas em ativos ligados a hipotecas, o Goldman continuava navegando sem grandes problemas.
Em 2007, no mesmo ano em que o Citigroup e o Merrill demitiram seus presidentes-executivos, o Goldman registrou receita e lucros recordes e pagou a seu chefe, Lloyd C. Blankfein, US$ 68,7 milhões -o maior valor pago a um presidente-executivo de Wall Street.
Mas até mesmo o menino de ouro de Wall Street não conseguiu suportar a turbulência que sacudiu o sistema financeiro nas últimas semanas. Após os problemas no Lehman e no American International Group (AIG), e do Merrill ter acertado às pressas sua compra pelo Bank of America há duas semanas, as ações do Goldman sofreram um golpe.
A crise do AIG foi particularmente problemática. O Goldman era o maior parceiro de negócios do AIG, segundo várias pessoas ligadas à seguradora, que pediram anonimato por causa dos acordos de confidencialidade. O Goldman assegurou aos investidores que sua exposição ao AIG era imaterial, mas clientes e investidores nervosos abandonaram a firma, temerosos de que os bancos de investimento -mesmo um tão estimado quanto o Goldman- poderiam não sobreviver.
"O que aconteceu confirmou meu sentimento de que o Goldman Sachs, independente de quão bom fosse, não estava imune à sorte", disse John H. Gutfreund, o ex-presidente-executivo do Salomon Brothers.
Assim, no último fim de semana, diante de poucas opções, o Goldman Sachs engoliu a pílula amarga e se transformou, entre todas as coisas, em algo simples e ordinário: um banco de depósitos.
A ação não significa que o Goldman dará, tão cedo, torradeiras como brinde pela abertura de uma conta em uma agência em Wichita. Mas a mudança é um ataque à cultura do Goldman e ao âmago de seus lucros excepcionais nos últimos anos.
Nem todos acham que a máquina de fazer dinheiro do Goldman ficará totalmente restrita. Na semana passada, o Oráculo de Omaha, Warren E. Buffett, fez um investimento de US$ 5 bilhões no banco, e o Goldman levantou outros US$ 5 bilhões em uma oferta separada de ações.
Ainda assim, dizem muitas pessoas, diante de mudanças tão amplas, o Goldman Sachs poderá perder o que o tornava tão especial. Mas, até aí, poucas coisas permanecerão as mesmas em Wall Street.
Tradução: George El Khouri Andolfato
Wall Street. Duas palavras simples que, assim como Hollywood e Washington, conjuram um mundo.
Um mundo de grandes egos. Um mundo onde pessoas adoram apostar com dinheiro emprestado. Um mundo de negócios realizados na corda-bamba, impulsionados por computadores.
Em busca de retornos cada vez maiores -e iates maiores, carros mais rápidos e coleções de arte mais caras para seus altos executivos- as firmas de Wall Street reforçaram suas mesas de negociação e contrataram gênios da física quântica para desenvolver programas à prova de falhas.
Os fundos hedge colocavam os mercadores no vermelho (a alta da coroa dinamarquesa) ou no preto (a queda do PIB da Tailândia). E firmas de private equity reuniam fundos gigantes e saíam em uma onda de compras, adquirindo empresas como se fossem uma segunda esposa comprando sapatos Jimmy Choo em liquidação.
Este mundo está em grande parte chegando ao fim.
O imenso pacote de resgate que está sendo debatido no Congresso poderá ter sucesso em estabilizar os mercados financeiros. Mas é tarde demais para ajudar firmas como Bear Stearns e Lehman Brothers, que já desapareceram. O Merrill Lynch, cujo touro de sua marca registrada simbolizava Wall Street para muitos americanos, está sendo absorvido pelo Bank of America, localizado a centenas de quilômetros de Nova York, em Charlotte, Carolina do Norte.
Para a maioria dos financistas que permanecem, com a exceção de alguns poucos superastros, os dias de dinheiro fácil e bônus gigantes são coisa do passado. O boom do crédito que levou ao crescimento explosivo de Wall Street secou. Os reguladores que ficaram de lado por muito tempo agora estão ávidos para refrear os bad boys de Wall Street e as práticas que se proliferaram nos últimos anos.
"Os dias aventureiros nos negócios das firmas de Wall Street, basicamente transformando a si mesmas em fundos hedge gigantes, acabaram. A verdade é que não eram tão bons", disse Andrew Kessler, um ex-administrador de fundo hedge. "Você não mais verá pessoal de nível médio ganhando um número de sete dígitos ou múltiplos números de sete dígitos que ninguém conseguia entender exatamente como conseguiram aquilo."
O início do fim é sentido mesmo nos corredores do elitista e conservador Goldman Sachs, que, entre seus pares de Wall Street, resumia e definia a cultura de alto risco, alto retorno.
O Goldman é uma firma que as outras firmas de Wall Street adoram odiar. Ele conta com alguns dos maiores fundos hedge e de private equity do mundo. Seus banqueiros de investimento são os mais inteligentes. Seus corretores, os melhores. São eles que ganham mais dinheiro em Wall Street, dando à firma o apelido de Goldmine (mina de ouro) Sachs. (Seus 30.522 funcionários ganharam em média US$ 600 mil no ano passado -uma média que inclui tanto secretárias quanto corretores.)
Apesar dos executivos de outras firmas torcerem secretamente para que o Goldman cometesse pelo menos um grande erro, ao mesmo tempo eles se esforçavam ao máximo para copiá-la.
Apesar do Goldman permanecer excelente na prestação de consultoria para fusões e na intermediação do lançamento de ações no mercado, o que ele faz melhor do que qualquer outra firma de Wall Street é negociar bens mobiliários. Isso envolve o uso de seus próprios fundos, assim como uma pilha de dinheiro emprestado, para fazer grandes apostas globais.
Outras firmas tentaram seguir seu exemplo, acumulando risco e mais risco, na tentativa de capturar uma pitada da mágica do Goldman e de seus lucros estelares trimestre após trimestre.
Ninguém chegou perto.
Enquanto a crise de crédito tomava Wall Street ao longo do ano passado, levando o Merrill, Citigroup e Lehman Brothers a sofrerem prejuízos pesados em grandes apostas em ativos ligados a hipotecas, o Goldman continuava navegando sem grandes problemas.
Em 2007, no mesmo ano em que o Citigroup e o Merrill demitiram seus presidentes-executivos, o Goldman registrou receita e lucros recordes e pagou a seu chefe, Lloyd C. Blankfein, US$ 68,7 milhões -o maior valor pago a um presidente-executivo de Wall Street.
Mas até mesmo o menino de ouro de Wall Street não conseguiu suportar a turbulência que sacudiu o sistema financeiro nas últimas semanas. Após os problemas no Lehman e no American International Group (AIG), e do Merrill ter acertado às pressas sua compra pelo Bank of America há duas semanas, as ações do Goldman sofreram um golpe.
A crise do AIG foi particularmente problemática. O Goldman era o maior parceiro de negócios do AIG, segundo várias pessoas ligadas à seguradora, que pediram anonimato por causa dos acordos de confidencialidade. O Goldman assegurou aos investidores que sua exposição ao AIG era imaterial, mas clientes e investidores nervosos abandonaram a firma, temerosos de que os bancos de investimento -mesmo um tão estimado quanto o Goldman- poderiam não sobreviver.
"O que aconteceu confirmou meu sentimento de que o Goldman Sachs, independente de quão bom fosse, não estava imune à sorte", disse John H. Gutfreund, o ex-presidente-executivo do Salomon Brothers.
Assim, no último fim de semana, diante de poucas opções, o Goldman Sachs engoliu a pílula amarga e se transformou, entre todas as coisas, em algo simples e ordinário: um banco de depósitos.
A ação não significa que o Goldman dará, tão cedo, torradeiras como brinde pela abertura de uma conta em uma agência em Wichita. Mas a mudança é um ataque à cultura do Goldman e ao âmago de seus lucros excepcionais nos últimos anos.
Nem todos acham que a máquina de fazer dinheiro do Goldman ficará totalmente restrita. Na semana passada, o Oráculo de Omaha, Warren E. Buffett, fez um investimento de US$ 5 bilhões no banco, e o Goldman levantou outros US$ 5 bilhões em uma oferta separada de ações.
Ainda assim, dizem muitas pessoas, diante de mudanças tão amplas, o Goldman Sachs poderá perder o que o tornava tão especial. Mas, até aí, poucas coisas permanecerão as mesmas em Wall Street.
Tradução: George El Khouri Andolfato
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Sobre o mundo
Quarta-feira, Julho 16, 2008
M.B. III
Tempo e distância, seriam grandezas físicas ou apenas um dos artifícios desse mundo para nos machucar? Ainda bem que existe Neruda que nunca permitirá que nos esqueçamos.
Eu te nomeei rainha (NERUDA, Pablo)
Eu te nomeei rainha.
Existem mais altas que tu, mais altas.
Mais puras do que tu, mais puras.
Mais belas do que tu, mais belas.
Mas tu és a rainha.
Quando vais pelas ruas
ninguém te reconhece.
Ninguém vê a coroa de cristal, ninguém vê
o tapete de ouro vermelho
que pisas por onde passas,
o tapete que não existe.
E apenas apareces
cantam todos os rios
em meu corpo, as campanas
estremecem o céu,
e um hino enche o mundo.
Somente tu e eu,
somente tu e eu, amor meu,
o escutamos.
Eu te nomeei rainha (NERUDA, Pablo)
Eu te nomeei rainha.
Existem mais altas que tu, mais altas.
Mais puras do que tu, mais puras.
Mais belas do que tu, mais belas.
Mas tu és a rainha.
Quando vais pelas ruas
ninguém te reconhece.
Ninguém vê a coroa de cristal, ninguém vê
o tapete de ouro vermelho
que pisas por onde passas,
o tapete que não existe.
E apenas apareces
cantam todos os rios
em meu corpo, as campanas
estremecem o céu,
e um hino enche o mundo.
Somente tu e eu,
somente tu e eu, amor meu,
o escutamos.
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Domingo, Maio 25, 2008
Quarta-feira, Abril 30, 2008
Mariana (29) e Patty (30)
Para duas pessoas muito especiais e importantes que fazem aniversário em dias tão próximos, que deixam marcar com um simples olhar.
Gotas numa tarde cinza
A cinza nuvem se move pelas pedras na cidade que tudo vê, estátuas que nunca sentirão o coração bater mais forte no peito, nem saberão o que são as carícias da garoa no rosto vermelho do calor do asfalto. Como viver assim, sendo uma gota dentre tantas, sentir-se como uma gota que sempre foi mais mar.
Deixar o corpo cair entre flechas e lanças, esperar por algo que pode estar morto, podendo parecer tolo e fútil, e mesmo que nunca sejam iguais, estará sempre marcado em cortes, que sei, jamais irão cicatrizar. Seria saudade então?
Fechar os olhos e esperar um sonho que nunca se repetirá, será que podemos nos conhecer? Sabe, parece que foi ontem. Tudo era tão puro que querer pouco era tão fútil, desistir tão covarde e resistir inútil.
É a chuva onde as gotas trazem de volta o verde, que limpam as cicatrizes sempre abertas no peito, que se misturam as lágrimas. A chuva que toca aquela valsa – que diz tanto que não sei como não sei como não tem teu nome – onde dançamos uma última vez.
Mas agora nem mesmo você está aqui pra me explicar. Eu juro, eu tentei correr, mas acho que foi tarde demais. Quem irá se importar? Se meus braços não vão bastar pra te trazer paz.
Refugia-se entre paredes sem janelas, escondendo tudo que sente, sem deixar de ser tudo aquilo que sempre imaginei. Seria dor então?
Gotas numa tarde cinza
A cinza nuvem se move pelas pedras na cidade que tudo vê, estátuas que nunca sentirão o coração bater mais forte no peito, nem saberão o que são as carícias da garoa no rosto vermelho do calor do asfalto. Como viver assim, sendo uma gota dentre tantas, sentir-se como uma gota que sempre foi mais mar.
Deixar o corpo cair entre flechas e lanças, esperar por algo que pode estar morto, podendo parecer tolo e fútil, e mesmo que nunca sejam iguais, estará sempre marcado em cortes, que sei, jamais irão cicatrizar. Seria saudade então?
Fechar os olhos e esperar um sonho que nunca se repetirá, será que podemos nos conhecer? Sabe, parece que foi ontem. Tudo era tão puro que querer pouco era tão fútil, desistir tão covarde e resistir inútil.
É a chuva onde as gotas trazem de volta o verde, que limpam as cicatrizes sempre abertas no peito, que se misturam as lágrimas. A chuva que toca aquela valsa – que diz tanto que não sei como não sei como não tem teu nome – onde dançamos uma última vez.
Mas agora nem mesmo você está aqui pra me explicar. Eu juro, eu tentei correr, mas acho que foi tarde demais. Quem irá se importar? Se meus braços não vão bastar pra te trazer paz.
Refugia-se entre paredes sem janelas, escondendo tudo que sente, sem deixar de ser tudo aquilo que sempre imaginei. Seria dor então?
Quinta-feira, Abril 17, 2008
sem título
Dança comigo até o fim esta última valsa, viva em meus sonhos próximos do último sono, deixa-me sentir a vida fruir em seus braços e aspirar outra vez seu perfume. Não olha o relógio, o tempo não existe mais para nós.
Seus olhos são meu exílio, onde expio minhas culpas e minhas dores. Esta última valsa nos espera, dança comigo até o fim e nada mais peço. Seus lábios, seu apreço, palavras singelas: Dorme que por ti eu zelo.
Seus olhos são meu exílio, onde expio minhas culpas e minhas dores. Esta última valsa nos espera, dança comigo até o fim e nada mais peço. Seus lábios, seu apreço, palavras singelas: Dorme que por ti eu zelo.
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Quinta-feira, Março 27, 2008
Ao mar
Deixou-se levar pela mansidão das ondas beijando a praia. Sentada na areia, os cabelos recebendo a brisa salgada que se misturava com o gosto de suas lágrimas, fitava – preguiçosa – o seu esconder-se do Sol no horizonte. Sua única música era a mistura do ritmo do mar e os bemóis e sustenidos do vento passando entre os coqueiros. Brincou com as conchas que o mar entregara naquele fim de noite, brancas como a lua, ou como os sorrisos nunca mais haviam brotado em seu rosto.
Queria voltar no tempo, mudar tudo. Não pensava em seus erros, há muito não os cometia, desejava reparar um dos melhores dias de sua vida, quando encontrou o amor entre fumaça de fábricas subindo as ruas do distrito industrial, tão distante de onde estava agora. Não sentia medo, ou culpa, não importava se era certo ou errado, não havia sido ela, nem ele. Sentia a dor da impossibilidade, estava se importando com o que era mais importante naquele momento – o que restou dos pedaços de seu coração. Havia sido amor, era do amor a culpa de sua dor, da destruição do seu coração.
Estava beirando os trinta, conhecia a Europa museu por museu, falava com coerência de história, política, filosofia, livros e filmes, era bem sucedida, escritora, consagrada. Tinha um belo apartamento com vista pro mar, casa de campo e de praia, carros importados e lancha. Porém em seu peito dormia profunda a dúvida. Não se era amor, não se era ódio. Não se culpava porque sabia que tinha feito a sua parte, tinha aberto seu coração, lutado, mas tantos anos haviam se passado, tantas palavras foram escritas, tanta tinta e folhas de Moleskine jogadas fora. Sabendo que o mar a consumiria, impiedoso, mas carinhoso.
Enquanto andava de pés descalços entre areia e cascalho, deixando pra trás conchas e pegadas, imaginava depois de tanto tempo se teria dado certo, se ele era o homem de sua vida. Deixou a onda molhar-lhe os pés antes de prosseguir, sonhando acordada com o quimérico gosto dos lábios dele. A água molhou a barra de sua saia e ela começou a desejar que os peixes a devorassem, preferia estar desaparecida a ter que obrigar seus amigos queridos a um velório.
Ela se foi, tomada gentilmente pelo mar ainda quente da tarde de sol, se encontrar com peixes e sereias que seriam, para sempre, reflexos de sua paixão.
Queria voltar no tempo, mudar tudo. Não pensava em seus erros, há muito não os cometia, desejava reparar um dos melhores dias de sua vida, quando encontrou o amor entre fumaça de fábricas subindo as ruas do distrito industrial, tão distante de onde estava agora. Não sentia medo, ou culpa, não importava se era certo ou errado, não havia sido ela, nem ele. Sentia a dor da impossibilidade, estava se importando com o que era mais importante naquele momento – o que restou dos pedaços de seu coração. Havia sido amor, era do amor a culpa de sua dor, da destruição do seu coração.
Estava beirando os trinta, conhecia a Europa museu por museu, falava com coerência de história, política, filosofia, livros e filmes, era bem sucedida, escritora, consagrada. Tinha um belo apartamento com vista pro mar, casa de campo e de praia, carros importados e lancha. Porém em seu peito dormia profunda a dúvida. Não se era amor, não se era ódio. Não se culpava porque sabia que tinha feito a sua parte, tinha aberto seu coração, lutado, mas tantos anos haviam se passado, tantas palavras foram escritas, tanta tinta e folhas de Moleskine jogadas fora. Sabendo que o mar a consumiria, impiedoso, mas carinhoso.
Enquanto andava de pés descalços entre areia e cascalho, deixando pra trás conchas e pegadas, imaginava depois de tanto tempo se teria dado certo, se ele era o homem de sua vida. Deixou a onda molhar-lhe os pés antes de prosseguir, sonhando acordada com o quimérico gosto dos lábios dele. A água molhou a barra de sua saia e ela começou a desejar que os peixes a devorassem, preferia estar desaparecida a ter que obrigar seus amigos queridos a um velório.
Ela se foi, tomada gentilmente pelo mar ainda quente da tarde de sol, se encontrar com peixes e sereias que seriam, para sempre, reflexos de sua paixão.
Sábado, Março 22, 2008
Pensamentos do dia
"Se tantas pessoas querem morrer dormindo porque não aumentar o número de bombardeios noturnos?"
"Se as vacas tivessem no topo da cadeia alimentar elas nos comeriam sem dó" Malditos Vegetarianos!
"A bebida tem um único defeito: torna as pessoas sinceras."
"Se as vacas tivessem no topo da cadeia alimentar elas nos comeriam sem dó" Malditos Vegetarianos!
"A bebida tem um único defeito: torna as pessoas sinceras."
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frase de efeito,
toda relação é de interesse
Quinta-feira, Março 20, 2008
entre eu e você
Todas as palavras jamais escritas
E aquelas verdades nunca antes ditas
Em minha memória tocam notas mudas
Meu silêncio entre fotos desbotadas
Rastros de nossa história apagada
A tristeza me corrói
é quando eu lembro de como dói
de como sem você meu mundo fica vago
se enchendo das mentiras da fumaça do cigarro
Procuro você ao olhar para trás
Fragmentos de tempos que não volta mais
E aquelas verdades nunca antes ditas
Em minha memória tocam notas mudas
Meu silêncio entre fotos desbotadas
Rastros de nossa história apagada
A tristeza me corrói
é quando eu lembro de como dói
de como sem você meu mundo fica vago
se enchendo das mentiras da fumaça do cigarro
Procuro você ao olhar para trás
Fragmentos de tempos que não volta mais
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Emet,
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não vou queimar ninguém
Quarta-feira, Março 19, 2008
Sou(L)
Sou um solitário que acredita nas pessoas, que idealiza cada relação; sou um ultra-romântico esperando a tuberculose chegar entre tragos de cigarro e goles de absinto. Eu ainda acredito no amor, não por vivê-lo, mas por vê-lo entre meus cúmplices. Eu vivo no século XXI, mas queria estar na década de 20 do século passado. Sou um parvo inconformado com a pós-modernidade, que não valoriza as pessoas.
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Aitolá Khomeini é um fofo
Almas Mortas
//Quanto vale duas palavras numa manhã cinza?//
De nada servem aquelas palavras doces derramadas em teus ouvidos. De pouco adianta entregar as rosas que por ti cultivei. Amores perdidos entre sonhos distantes, irrealizáveis. O que resta são as promessas vãs entre tragos de cigarro, pedidos de desculpas e noites mal dormidas.
_Quem és tu? – pergunta o velho senhor que me observar andar sem rumo entre prédios baixos e ruas simétricas.
Não sei como responder, mas não faltam palavras, eu sei o quem eu sou. Não sei, porém, o que queres que eu seja. Queria simplesmente parar de me questionar sobre você, esquecer essa mania que tenho de pensar. Pensar onde eu errei, pensar nos teus beijos, pensar minhas mágoas, pensar que não te mereço.
Por que é tão fácil entregar nosso corpo a desconhecidos e tão difícil permitir que nossos corações sejam visitados? – somos tão humanos assim, somos meros seres normais?
Permita-se ser desejada, permita-me dizer tudo que sinto, de como teu olhar me conduz ao paraíso, de como me perco tão facilmente nos teus lábios, de como duas palavras tuas podem significar tanto numa manhã cinza.
Sinto ruborizar meu rosto quando estou perto de você, desejo que o tempo pare quando nossos rostos se tocam ao nos cumprimentarmos, olho uma última vez pra trás antes de deixar você na porta de casa.
De repente, quem sabe, acontece. Até lá aguardo entre goles de uísque e tragos de cigarro olhar você mais uma vez.
Brasília, XI de março de 2008
De nada servem aquelas palavras doces derramadas em teus ouvidos. De pouco adianta entregar as rosas que por ti cultivei. Amores perdidos entre sonhos distantes, irrealizáveis. O que resta são as promessas vãs entre tragos de cigarro, pedidos de desculpas e noites mal dormidas.
_Quem és tu? – pergunta o velho senhor que me observar andar sem rumo entre prédios baixos e ruas simétricas.
Não sei como responder, mas não faltam palavras, eu sei o quem eu sou. Não sei, porém, o que queres que eu seja. Queria simplesmente parar de me questionar sobre você, esquecer essa mania que tenho de pensar. Pensar onde eu errei, pensar nos teus beijos, pensar minhas mágoas, pensar que não te mereço.
Por que é tão fácil entregar nosso corpo a desconhecidos e tão difícil permitir que nossos corações sejam visitados? – somos tão humanos assim, somos meros seres normais?
Permita-se ser desejada, permita-me dizer tudo que sinto, de como teu olhar me conduz ao paraíso, de como me perco tão facilmente nos teus lábios, de como duas palavras tuas podem significar tanto numa manhã cinza.
Sinto ruborizar meu rosto quando estou perto de você, desejo que o tempo pare quando nossos rostos se tocam ao nos cumprimentarmos, olho uma última vez pra trás antes de deixar você na porta de casa.
De repente, quem sabe, acontece. Até lá aguardo entre goles de uísque e tragos de cigarro olhar você mais uma vez.
Brasília, XI de março de 2008
Sábado, Março 15, 2008
Além do que os olhos vêem
Sorria antes do Sol se pôr. Sorria antes das flores chegarem, sorria antes das respostas e dos medos tomarem conta de você. Sorriso, gesto tão simples, gesto perfeito, reflexo perfeito do estado de espírito, um sorriso verdadeiro.
Sonhos – há vezes que parecem piadas de mau gosto, há vezes que se realizam – devem ser seguidos?
Não tenho mais certeza, desde esta manhã. Acordar sabendo que tens que fazer algo, que de certa forma soa estúpido, desnecessário, – digamos inconveniente – mas mesmo assim tomamos coragem de mostrar nosso rosto e tomar o tapa.
Eram doze rosas brancas e uma rosa vermelha, o significado nem eu mesmo sei, mesmo assim, deixe em tua porta, esperando uma resposta, uma mudança.
Fico em minha ebriedade questionando os sentidos de cada coisa que fiz, o que eu tenho a oferecer, o que você espera de alguém.
Sorria, ao menos as flores são belas e nada vai mudar isso. Não é importante quem mandou, não é importante como chegou às suas mãos, o que importa é o significado de cada uma delas. Dentre tantas rosas brancas, tu és a vermelha, a que se destaca, aquela que chama atenção.
Além do que os olhos vêem há alguém que não importa como, nunca te deixará sozinha.
Sonhos – há vezes que parecem piadas de mau gosto, há vezes que se realizam – devem ser seguidos?
Não tenho mais certeza, desde esta manhã. Acordar sabendo que tens que fazer algo, que de certa forma soa estúpido, desnecessário, – digamos inconveniente – mas mesmo assim tomamos coragem de mostrar nosso rosto e tomar o tapa.
Eram doze rosas brancas e uma rosa vermelha, o significado nem eu mesmo sei, mesmo assim, deixe em tua porta, esperando uma resposta, uma mudança.
Fico em minha ebriedade questionando os sentidos de cada coisa que fiz, o que eu tenho a oferecer, o que você espera de alguém.
Sorria, ao menos as flores são belas e nada vai mudar isso. Não é importante quem mandou, não é importante como chegou às suas mãos, o que importa é o significado de cada uma delas. Dentre tantas rosas brancas, tu és a vermelha, a que se destaca, aquela que chama atenção.
Além do que os olhos vêem há alguém que não importa como, nunca te deixará sozinha.
Terça-feira, Março 04, 2008
Três flores no planalto estéril
Três flores no planalto estéril
Olhar a Lua
Para Bruna
Parece tão distante,
Sorridente entre estrelas
Por horas menina,
Por noites mulher.
Parece tão distante,
Imponente no céu
Ao fechar dos olhos, segurança
Ao abri-los, lunática.
Parece tão distante,
Mesmo quando não aparece
Está presente em nossas mentes
Sempre há lua.
Parece tão pura
De tez alva, imaculada
Crescente em nossa lembrança
Eterna em poemas de amor.
Parece tão cheia,
Parece tão pura,
Parece poesia,
Manifesta entre nós.
Insônia
Para Dani
Era uma noite sem dono, insone na madrugada, uma rosa procurava um sorriso, um dono, uma razão de existir. Era uma noite sem sono, vagando pela madrugada, um sorriso sem dono, sem sono, emoldurado por lábios vermelhos. Um momento, três segundos que valeria, para sempre, a memória de um sorriso sem sono se entregando, sem dono, à rosa. Sem dono a rosa sorria, e o sorriso, sem sono dizia: nos percamos na madrugada, pois te ver murchar ao amanhecer apagará para sempre esse sorriso.
Fragmentos poéticos
Para Patty
Expressa em teus olhos
As verdades tomam sentido
A máquina que pulsa no peito
Torna-se ser com vida (...)
(...) Queria viver entre Sartre e Simone.
Na Paris de vinte e trinta
Beber com eles do absinto,
E entregue a ebriedade citar
Le Bateau Ivre, de Rimbaud
De Baudelaire, Les Fleur du Mal (...)
Os pulsos cortados choram,
São lágrimas de sangue,
Os lábios sorvem o gosto de câncer
Tudo tem um nome, A (...)
(...)
Le tombeau, confident de mon rêve infini,
— Car le tombeau toujours comprendra le poète, —
Durant ces grandes nuits d'où le somme est banni,(...) C.Baudelaire
Fragmentos de poesias e de sonhos
Fragmentos de pessoas e vícios
Fragmentos de sentimento e pedidos de desculpa.
Fragmentos de meu coração te entrego.
//Na poesia, de fragmentos, de certeza e mentiras
Escondem-se dores e amores, e sensíveis e traidores.//
Nos meus fragmentos de ser,
Catando cada pedaço de sonho
Cada verso de poesia
Revivendo sentimentos
Elaborando pedidos de desculpas
(...)Esquecendo a dor dos pulsos
Esquecendo a ebriedade, sobram
Fragmentos de memórias
Indeléveis com se marcadas a ferro(...)
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Duas pedras de gelo derretendo no uísque barato. Outra caneta vazia, páginas cheias. Cigarro queimado. E o cheiro de café – a morte que não tarda ao ser chamada.
Em suas páginas amareladas, deixou uma última frase – Tu és pérola.
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Olhar a Lua
Para Bruna
Parece tão distante,
Sorridente entre estrelas
Por horas menina,
Por noites mulher.
Parece tão distante,
Imponente no céu
Ao fechar dos olhos, segurança
Ao abri-los, lunática.
Parece tão distante,
Mesmo quando não aparece
Está presente em nossas mentes
Sempre há lua.
Parece tão pura
De tez alva, imaculada
Crescente em nossa lembrança
Eterna em poemas de amor.
Parece tão cheia,
Parece tão pura,
Parece poesia,
Manifesta entre nós.
Insônia
Para Dani
Era uma noite sem dono, insone na madrugada, uma rosa procurava um sorriso, um dono, uma razão de existir. Era uma noite sem sono, vagando pela madrugada, um sorriso sem dono, sem sono, emoldurado por lábios vermelhos. Um momento, três segundos que valeria, para sempre, a memória de um sorriso sem sono se entregando, sem dono, à rosa. Sem dono a rosa sorria, e o sorriso, sem sono dizia: nos percamos na madrugada, pois te ver murchar ao amanhecer apagará para sempre esse sorriso.
Fragmentos poéticos
Para Patty
Expressa em teus olhos
As verdades tomam sentido
A máquina que pulsa no peito
Torna-se ser com vida (...)
(...) Queria viver entre Sartre e Simone.
Na Paris de vinte e trinta
Beber com eles do absinto,
E entregue a ebriedade citar
Le Bateau Ivre, de Rimbaud
De Baudelaire, Les Fleur du Mal (...)
Os pulsos cortados choram,
São lágrimas de sangue,
Os lábios sorvem o gosto de câncer
Tudo tem um nome, A (...)
(...)
Le tombeau, confident de mon rêve infini,
— Car le tombeau toujours comprendra le poète, —
Durant ces grandes nuits d'où le somme est banni,(...) C.Baudelaire
Fragmentos de poesias e de sonhos
Fragmentos de pessoas e vícios
Fragmentos de sentimento e pedidos de desculpa.
Fragmentos de meu coração te entrego.
//Na poesia, de fragmentos, de certeza e mentiras
Escondem-se dores e amores, e sensíveis e traidores.//
Nos meus fragmentos de ser,
Catando cada pedaço de sonho
Cada verso de poesia
Revivendo sentimentos
Elaborando pedidos de desculpas
(...)Esquecendo a dor dos pulsos
Esquecendo a ebriedade, sobram
Fragmentos de memórias
Indeléveis com se marcadas a ferro(...)
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Duas pedras de gelo derretendo no uísque barato. Outra caneta vazia, páginas cheias. Cigarro queimado. E o cheiro de café – a morte que não tarda ao ser chamada.
Em suas páginas amareladas, deixou uma última frase – Tu és pérola.
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Terça-feira, Janeiro 29, 2008
Avenida Liberdade
Blog que pretende contar a história de um escritor que mora na Avenida Liberdade, de frente para o Cemitério e a alguns quarteirões da Penitenciária.
www.avliberdade.blogspot.com
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búlgaro para iniciantes,
mentira,
não vou queimar ninguém,
rabino Henry Sobel
Quinta-feira, Janeiro 24, 2008
V de Vendeta
V, personagem principal, interpreta junto à estátua da Justiça.
Olá, formosa dama, linda noite não? Perdoe-me a interrupção. Talvez a senhorita pretendesse passear…apenas desfrutar a paisagem. Não importa. Creio que é chegado o momento de uma breve conversa. Ah! eu me esqueci de que não fomos apresentados. Eu não tenho um nome, mas pode me chamar de V.
Madame Justiça…este é V. V…esta é madame justiça. Olá, madame Justiça!
- “Boa noite V.”
Pronto. Agora que já nos conhecemos, para ser sincero, outrora fui um admirador seu. Até imagino o que está pensando.
- “O pobre rapaz tem uma queda por mim…uma paixão juvenil”.
Perdoe-me, mais não é este o caso. Eu dizia a meu pai: Quem é aquela moça? E ele respondia:: É a madame justiça. Ao que eu replicava: Como é bela. Eu a admirava apesar da distância. Ainda criança, ao passar na rua, admirava sua beleza. Por favor, não pense se tratar apenas de uma atração física, em absoluto. Eu a amava como pessoa, como IDEAL. Isso foi há muito tempo, agora, confesso que há outra…
“O que? Que vergonha V! Traindo-me com uma MERETRIZ de lábios pintados e sorriso vulgar!”
Eu, Madame? Permita-me uma correção. Foi sua INFIDELIDADE que me arremessou aos braços dela!
Ahá! ficou surpresa, não? Pensou que eu desconhecia suas escapadelas? Enganou-se. Eu SEI de tudo. Na verdade, não me surpreendi quando soube que você flertava com homens de uniforme.
- “Uniforme? E-eu não sei do que você está falando. Sempre foi você, V, o único amor em minha vi…”
Mentirosa! Meretriz! Ousa negar que se deixou envolver por ele com suas braçadeiras e botas?
Ah! o gato comeu sua língua? Foi o que pensei. Muito bem. A verdade foi revelada. Você não é mais MINHA justiça. É a dele. Recebeu outro em sua cama. Faça bom proveito de seu novo amante.
- “Snif! Snif! Q-quem é ela? Como se chama?
Seu nome é ANARQUIA, e ela me ensinou mais como amante do que você supõe. Com ela aprendi que não há sentido na justiça sem LIBERDADE, é honesta, não faz promessas e nem deixa de cumpri-las como você. Eu costumava me indagar porque você nunca me olhou nos olhos. Agora eu sei. Por isso, adeus, cara dama. Nossa separação não me entristece, uma vez que não é mais a mulher que eu amei outrora. Eis um último PRESENTE, deixo a seus pés.
(V coloca um artefato em forma de coração aos pés de sua ex-amada. Após a explosão, observa as chamas…)
As CHAMAS da liberdade. Que adorável. Quanta justeza, minha preciosa anarquia…Oh beldade, até hoje, eu te desconhecia!
Olá, formosa dama, linda noite não? Perdoe-me a interrupção. Talvez a senhorita pretendesse passear…apenas desfrutar a paisagem. Não importa. Creio que é chegado o momento de uma breve conversa. Ah! eu me esqueci de que não fomos apresentados. Eu não tenho um nome, mas pode me chamar de V.
Madame Justiça…este é V. V…esta é madame justiça. Olá, madame Justiça!
- “Boa noite V.”
Pronto. Agora que já nos conhecemos, para ser sincero, outrora fui um admirador seu. Até imagino o que está pensando.
- “O pobre rapaz tem uma queda por mim…uma paixão juvenil”.
Perdoe-me, mais não é este o caso. Eu dizia a meu pai: Quem é aquela moça? E ele respondia:: É a madame justiça. Ao que eu replicava: Como é bela. Eu a admirava apesar da distância. Ainda criança, ao passar na rua, admirava sua beleza. Por favor, não pense se tratar apenas de uma atração física, em absoluto. Eu a amava como pessoa, como IDEAL. Isso foi há muito tempo, agora, confesso que há outra…
“O que? Que vergonha V! Traindo-me com uma MERETRIZ de lábios pintados e sorriso vulgar!”
Eu, Madame? Permita-me uma correção. Foi sua INFIDELIDADE que me arremessou aos braços dela!
Ahá! ficou surpresa, não? Pensou que eu desconhecia suas escapadelas? Enganou-se. Eu SEI de tudo. Na verdade, não me surpreendi quando soube que você flertava com homens de uniforme.
- “Uniforme? E-eu não sei do que você está falando. Sempre foi você, V, o único amor em minha vi…”
Mentirosa! Meretriz! Ousa negar que se deixou envolver por ele com suas braçadeiras e botas?
Ah! o gato comeu sua língua? Foi o que pensei. Muito bem. A verdade foi revelada. Você não é mais MINHA justiça. É a dele. Recebeu outro em sua cama. Faça bom proveito de seu novo amante.
- “Snif! Snif! Q-quem é ela? Como se chama?
Seu nome é ANARQUIA, e ela me ensinou mais como amante do que você supõe. Com ela aprendi que não há sentido na justiça sem LIBERDADE, é honesta, não faz promessas e nem deixa de cumpri-las como você. Eu costumava me indagar porque você nunca me olhou nos olhos. Agora eu sei. Por isso, adeus, cara dama. Nossa separação não me entristece, uma vez que não é mais a mulher que eu amei outrora. Eis um último PRESENTE, deixo a seus pés.
(V coloca um artefato em forma de coração aos pés de sua ex-amada. Após a explosão, observa as chamas…)
As CHAMAS da liberdade. Que adorável. Quanta justeza, minha preciosa anarquia…Oh beldade, até hoje, eu te desconhecia!
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Aitolá Khomeini é um fofo,
câncer de laringe,
morte
Terça-feira, Janeiro 01, 2008
UMA CAIXINHA QUE GUARDAVA SORRISOS
Lembro de quando nós nos conhecemos em uma farmácia perto da sua casa. Você angustiada, preocupada com a vida, o fim de um relacionamento e uma tremenda dor de cabeça. Pensava que nunca fosse acontecer tamanho encantamento, você estava comprando um pouco de ácido acetilsalicílico. Sei como são essas coisas, nós passamos procurando uma coisa e voltamos pra casa acompanhados. Eu tranqüilamente esperando uma pessoa como você aparecer. Nem precisamos de muita conversa e logo estávamos no carro indo para sua casa.
Senti-me tão à vontade, tão feliz de te encontrar. Era engraçado, eu parecia a conseguir tirar esses pensamentos tristes de você. Sabia o poder que tinha de te deixar tranqüila, sorridente, mas sejamos sinceros não foi amor à primeira vista. Só com o tempo é que fomos fazendo parte um da vida do outro. Mas já me haviam dito que às vezes no começo a uma fase de negação. Onde não queremos nos envolver. Questionamos o nosso relacionamento, e tudo parecia tão artificial, você não quis se entregar.
É o tempo que faz um ser importante para o outro, é o ato de compartilhar experiências, de viver juntos. Não esqueço daquela vez que você chegou muito cansada e ainda assim me trouxe para dormir ao seu lado. Sabíamos que seria muito importante pela manhã minha presença ali. Sempre firme ao teu lado, para quando você precisasse.
Quando eu estava com você, sentia as suas angústias partindo, muitas vezes você me procurava desesperada e eu lá sempre disposto a colocar um sorriso no teu rosto. Cada célula do seu corpo mudava quando eu estava lá. Fui responsável muitas vezes pelo brilho dos seus olhos.
Por um tempo você me esqueceu, acho que já se sentia melhor e não precisava mais de mim, mas eu estava lá, apenas esperando ser requisitado. E não demorou muito, você estava novamente comigo. Não sei se experimentou outros, mas é certo que voltou. Os nossos momentos, a nossa cumplicidade. Como era importante ter a certeza que eu fazia parte de sua vida, que nosso relacionamento tinha amadurecido, não havia hora em que, de certa forma, não estávamos próximos.
Se não éramos namorados, amados e amantes, pouco importava, estar na sua vida parecia tão grande e tão bom. Sem você, afinal, eu não era nada. Eu era sua caixinha de guardar sorrisos, seu companheiro para todas as horas e tudo que eu queria era te fazer bem. Aprendi a duras penas que você não podia estar comigo todo o tempo, e que por mais perto que estivesse as vezes não podia fazer nada.
Você sempre você, abrindo o meu íntimo, mexendo lá dentro para buscar sua alegria. E o que eu sentia? A satisfação de te ver melhor, de saber como você estava, de poder te mudar.
Mas o tempo passou e você conheceu aquilo que chamam de amor novamente, nossos meses juntos, tudo que compartilhamos se esvaindo, tudo se foi. Fui deixado de lado, mandado para outro continente, e você, meu bem, você nem se importou com o que eu sentia.
O que nós éramos meu amor, perdeu-se quando ele, o outro, o invasor, decidiu que não precisavas mais desse amigo e que podia te impedir de estar comigo. Jogou-me no lixo, mas você foi lá e catou essa caixinha de guardar sorrisos. Escondeu-me em um lugar escuro e distante da sua vida.
Esse parece ser o lugar dos meus, nós Caixas de Remédio de Tarja Preta. Vivemos apenas para te fazer menos triste, mas quando a felicidade chega, bem, ficamos trancados em gavetas esperando que ela se vá e você perceba que nós somos importantes.
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Senti-me tão à vontade, tão feliz de te encontrar. Era engraçado, eu parecia a conseguir tirar esses pensamentos tristes de você. Sabia o poder que tinha de te deixar tranqüila, sorridente, mas sejamos sinceros não foi amor à primeira vista. Só com o tempo é que fomos fazendo parte um da vida do outro. Mas já me haviam dito que às vezes no começo a uma fase de negação. Onde não queremos nos envolver. Questionamos o nosso relacionamento, e tudo parecia tão artificial, você não quis se entregar.
É o tempo que faz um ser importante para o outro, é o ato de compartilhar experiências, de viver juntos. Não esqueço daquela vez que você chegou muito cansada e ainda assim me trouxe para dormir ao seu lado. Sabíamos que seria muito importante pela manhã minha presença ali. Sempre firme ao teu lado, para quando você precisasse.
Quando eu estava com você, sentia as suas angústias partindo, muitas vezes você me procurava desesperada e eu lá sempre disposto a colocar um sorriso no teu rosto. Cada célula do seu corpo mudava quando eu estava lá. Fui responsável muitas vezes pelo brilho dos seus olhos.
Por um tempo você me esqueceu, acho que já se sentia melhor e não precisava mais de mim, mas eu estava lá, apenas esperando ser requisitado. E não demorou muito, você estava novamente comigo. Não sei se experimentou outros, mas é certo que voltou. Os nossos momentos, a nossa cumplicidade. Como era importante ter a certeza que eu fazia parte de sua vida, que nosso relacionamento tinha amadurecido, não havia hora em que, de certa forma, não estávamos próximos.
Se não éramos namorados, amados e amantes, pouco importava, estar na sua vida parecia tão grande e tão bom. Sem você, afinal, eu não era nada. Eu era sua caixinha de guardar sorrisos, seu companheiro para todas as horas e tudo que eu queria era te fazer bem. Aprendi a duras penas que você não podia estar comigo todo o tempo, e que por mais perto que estivesse as vezes não podia fazer nada.
Você sempre você, abrindo o meu íntimo, mexendo lá dentro para buscar sua alegria. E o que eu sentia? A satisfação de te ver melhor, de saber como você estava, de poder te mudar.
Mas o tempo passou e você conheceu aquilo que chamam de amor novamente, nossos meses juntos, tudo que compartilhamos se esvaindo, tudo se foi. Fui deixado de lado, mandado para outro continente, e você, meu bem, você nem se importou com o que eu sentia.
O que nós éramos meu amor, perdeu-se quando ele, o outro, o invasor, decidiu que não precisavas mais desse amigo e que podia te impedir de estar comigo. Jogou-me no lixo, mas você foi lá e catou essa caixinha de guardar sorrisos. Escondeu-me em um lugar escuro e distante da sua vida.
Esse parece ser o lugar dos meus, nós Caixas de Remédio de Tarja Preta. Vivemos apenas para te fazer menos triste, mas quando a felicidade chega, bem, ficamos trancados em gavetas esperando que ela se vá e você perceba que nós somos importantes.
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Sábado, Dezembro 08, 2007
top 5
Livros:
-A morte de Ivan Ilitch, Leon Tolstoi
-A Metamorfose, Kafka
-A Menina que Roubava Livros, Markus Zusak
-Insùltes, frases de Schopenhauer
-Crônicas Saxônias, Bernard Cornwell
Músicas:
-Disarm, The Smashing Pumpkins
-Right where it belongs, Nine Inch Nails
-Mad World, por Gary Jules
-Hurt, por Johnny Cash
-Untitled 2, Gregor Samsa is making music
Filmes:
-Os intocáveis
-Laranja Mecânica
-Cães de Aluguel
-Encouraçado Potemkim
-Ilha das Flores, curta.
Vícios:
-Cigarro
-Dor de cotovelo
-Apostar
-Discordar
-Sonhar
Personagens:
-Gregor Samsa - A Metamorfose, Fraz Kafka
-O Coringa - HQs do Batman
-Richard Sharpe - As aventuras de Sharpe, Bernard Cornwell
-Darth Vader - Universo Star Wars
-Mersault - O Estrangeiro, Albert Camus
Séries:
-NCIS
-Hoise M.D.
-Bones
-Numb3rs
-The Big Bang Theory
Depois, talvez, eu continue
-A morte de Ivan Ilitch, Leon Tolstoi
-A Metamorfose, Kafka
-A Menina que Roubava Livros, Markus Zusak
-Insùltes, frases de Schopenhauer
-Crônicas Saxônias, Bernard Cornwell
Músicas:
-Disarm, The Smashing Pumpkins
-Right where it belongs, Nine Inch Nails
-Mad World, por Gary Jules
-Hurt, por Johnny Cash
-Untitled 2, Gregor Samsa is making music
Filmes:
-Os intocáveis
-Laranja Mecânica
-Cães de Aluguel
-Encouraçado Potemkim
-Ilha das Flores, curta.
Vícios:
-Cigarro
-Dor de cotovelo
-Apostar
-Discordar
-Sonhar
Personagens:
-Gregor Samsa - A Metamorfose, Fraz Kafka
-O Coringa - HQs do Batman
-Richard Sharpe - As aventuras de Sharpe, Bernard Cornwell
-Darth Vader - Universo Star Wars
-Mersault - O Estrangeiro, Albert Camus
Séries:
-NCIS
-Hoise M.D.
-Bones
-Numb3rs
-The Big Bang Theory
Depois, talvez, eu continue
M.B. II
Minha menina
//With each bullet screams your name.//
E quantas noites seriam necessárias para conquistar um pedacinho de seu mundo? E quantas horas e mentiras teria que contar? Quantos goles, quantos tragos, quantos Valium? Quantas balas iriam se alojar no meu corpo?
Por treze dias deixei de lado meu futuro para voltar aos dias que habitava entre os meus. Vi minha antiga casa coberta de musgo e hera, vi meus amigos em elegantes mausoléus de mármore branco, adiei meus sonhos. Fui te ver minha menina, declamar Neruda, roubar um único beijo de teus lábios, e os digo doces lábios, à brisa do mar.
Neguei-me a razão, fiz o impensado e, mais, cometi um crime. Não pelo desejo momentâneo de te ter em meus braços, não pela inebriante sensação que proporciona, mas pela paz que transmites, pela confiança de tuas palavras.
Uma noite ao teu lado, apartado o carnal, mas dedicado aos ouvir tuas palavras. Logo depois dez dias de busca, e você, silêncio. Desejei ser mais que uma história a se contar, e se fosse uma história, que não a minha, por favor.
Minha menina, tiraste-me dos meus amados livros, por treze dias, levastes-me aos túmulos de meus amigos, aos restos de minha casa, ao que mais amei em minha vida, para, enfim, deixar-me na espera, na angústia do silêncio?
Volto à vida – minha vidinha medonha e tediosa – e deixo-te sem mágoa, apenas carrego lágrimas e um coração em pedaços.
//With each bullet screams your name.//
E quantas noites seriam necessárias para conquistar um pedacinho de seu mundo? E quantas horas e mentiras teria que contar? Quantos goles, quantos tragos, quantos Valium? Quantas balas iriam se alojar no meu corpo?
Por treze dias deixei de lado meu futuro para voltar aos dias que habitava entre os meus. Vi minha antiga casa coberta de musgo e hera, vi meus amigos em elegantes mausoléus de mármore branco, adiei meus sonhos. Fui te ver minha menina, declamar Neruda, roubar um único beijo de teus lábios, e os digo doces lábios, à brisa do mar.
Neguei-me a razão, fiz o impensado e, mais, cometi um crime. Não pelo desejo momentâneo de te ter em meus braços, não pela inebriante sensação que proporciona, mas pela paz que transmites, pela confiança de tuas palavras.
Uma noite ao teu lado, apartado o carnal, mas dedicado aos ouvir tuas palavras. Logo depois dez dias de busca, e você, silêncio. Desejei ser mais que uma história a se contar, e se fosse uma história, que não a minha, por favor.
Minha menina, tiraste-me dos meus amados livros, por treze dias, levastes-me aos túmulos de meus amigos, aos restos de minha casa, ao que mais amei em minha vida, para, enfim, deixar-me na espera, na angústia do silêncio?
Volto à vida – minha vidinha medonha e tediosa – e deixo-te sem mágoa, apenas carrego lágrimas e um coração em pedaços.
Quinta-feira, Novembro 22, 2007
travessão
Ele não era nada além do normal, um homem comum – ele se odiava. Longas noites de olhos abertos, dias inteiros no seu trabalho medíocre. O salário nunca bastava, as mulheres sempre o deixavam – ele as amava.
Entreva, em noites sem lua, seus segredos às páginas amareladas de um velho caderno. Não era nada de mais, apenas garranchos repletos de nicotina e cheirando uísque barato – ele nunca disse que não.
Páginas inteiras, sem sentido. Páginas rasuradas, verdades cruas, trazendo dor e desespero. Declarava amor, flagrava sua miséria – ele disse, eu te amo.
Duas pedras de gelo derretendo no uísque barato. Outra caneta vazia, páginas cheias. Cigarro queimado. E o cheiro de café – a morte que não tarda ao ser chamada.
Em suas páginas amareladas, deixou uma última frase – Tu és pérola.
Entreva, em noites sem lua, seus segredos às páginas amareladas de um velho caderno. Não era nada de mais, apenas garranchos repletos de nicotina e cheirando uísque barato – ele nunca disse que não.
Páginas inteiras, sem sentido. Páginas rasuradas, verdades cruas, trazendo dor e desespero. Declarava amor, flagrava sua miséria – ele disse, eu te amo.
Duas pedras de gelo derretendo no uísque barato. Outra caneta vazia, páginas cheias. Cigarro queimado. E o cheiro de café – a morte que não tarda ao ser chamada.
Em suas páginas amareladas, deixou uma última frase – Tu és pérola.
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